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Nesta exposição o convite é para ver o invisível. Somos desafiados a ultrapassar a fronteira das noites urbanas, nas quais nos acostumamos a ver as projeções em grande formato do duo VJ Suave, e adentrar o território da floresta amazônica pelos olhos da Realidade Virtual.

Combinando tecnologias de última geração com saberes imemoriais dos povos indígenas, Ceci Soloaga e Ygor Marotta nos levam a um mundo que responderá aos nossos gestos e movimentos.

No jogo proposto pelo duo não há obstáculos a vencer, mas um percurso no qual se estabelecem relações com os personagens e com as coisas. É preciso entrar em sintonia com os sons do ambiente, com a música dos instrumentos, com a diversidade da flora e dar-se conta da beleza dos animais. Isso demanda atenção, suavidade e imersão dos participantes.

Toda uma nova pedagogia do olhar está em pauta aí. Ela pressupõe uma outra visualidade: a que enxerga, a partir do invisível, com a mente em simbiose com todos os órgãos do corpo.

Giselle Beiguelman, artista e pesquisadora em arte digital.

PERSONAGENS

INDIO TXUÃ

Pajé de uma tribo da floresta encantada, Txuã é um curandeiro muito poderoso, que conduz as pessoas que o procuram ao caminho da iluminação e do autoconhecimento. Ele usa a sabedoria das plantas sagradas e da energia invisível da floresta para guiar as pessoas à outras dimensões. Ele tem muito a ensinar, com palavras e plantas, basta estar próximo dele com o coração aberto.

As falas do pajé foram criadas a partir de uma entrevista que fizemos com Txuã Pakamayte, liderança da tribo Huni Kuin da região do Rio Envira, no Acre. Além de nos ceder seus conhecimentos, Txuã cedeu também sua voz ao personagem da instalação.

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SÁBIO CACAJO

O mais misterioso de todos os macacos da oresta, Cacajo é um Uacari-Branco, sábio de seu grupo. Ele é um curandeiro da selva que se utiliza dos ritmos para promover a cura física e espiritual. Com o som de seu shaker ele nos conduz a uma viagem rítmica que relaxa e estimula a criatividade. Sentir o barulho do shaker do Cacajo penetrando em nosso ser, estar no momento presente e perceba tudo que está além da realidade visível. Ele usa sálvia para puri car o ambiente e a aura pois, através da queima, essa folha sagrada se transforma em um veículo de limpeza e luz.

JOSI, O MÚSICO

Viajante e andarilho, é amigo do índio. Com seu atabaque ajuda a guiar o ritual criando um ambiente sonoro propício à elevação. O atabaque é um instrumento ancestral, que chegou ao Brasil pela mão dos africanos, e trouxe com ele a força daquele continente